Quarta-feira, 24 de Maio de 2006

Aconteceu...

Aconteceu…

Ninguém pediu para que fosse assim, mas a verdade é que aconteceu. Ninguém pediu para que as coisas sequer acontecessem, mas assim foi.

Um dia numa página em branco, que encontraste num dos teus passeios solitários e longínquos, dos quais nunca pude participar, resolveste escrever uma história. A nossa…

Tão poucas linhas, tão curtas palavras. Tantas reticências que colocaste nela. Será que algum dia ainda terá um final feliz? Será que algum dia escreverás o seu final? Será?

Sopras as aparas do lápis com que escreves essa história. As mesmas aparas com que me desenhas nas tantas noites que passas acordado ao meu lado. Nas tantas noites em que eu durmo despida, embrulhada no cobertor em frente da lareira que adoro. A mesma que me acendeste no dia em que me abriste a porta da tua casa. Nas mesmas noites em que não dormes porque pensas demais. Nesses momentos em que contemplas a beleza, que só tu vês, quando eu durmo e sonho com nós os dois.

Riscas e voltas a escrever. Risca mais umas coisas e rescreves uns rabiscos estranhos que não consigo perceber. Parece que desenhas quando escreves…

Mexo-me com o calor da lareira que fazes questão de manter acesa só para mim. Só a chama da nossa paixão é que resolveste apagar. Também escreveste a água com que apagaste esse lume? Ou essa é apenas as gotas de suor que produzimos nas noites cálidas e quentes que nos unem aos dois sozinhos. Nas noites em que acendemos um fogo, não na lareira, mas dentro de nós os dois. Nas mesmas noites em que o oxigénio não chega sequer para nós os dois, quanto mais para manter um outro fogo aceso.

Entrelaças as palavras e os desenhos. Também de vez em quando dedilhas a guitarra, tal como dedilhas o meu corpo nessas noites. Cantas para eu adormecer, tal como me fizeram há muitos anos atrás, quando não imaginava sequer o que era o mundo, quanto mais que havia nele pessoas como tu…

Talvez estivesse escrito, muito antes de tu escreveres esta história de nós os dois, que eu e tu seríamos um só em algumas noites das nossas vidas. Talvez estivesse escrito que essa história apenas tinha uma página, porque tu teimaste em não escrever mais nada.

Mas o que deveria ter sido escrito muito antes disso tudo é que o mundo teima em virar essa página, quer tu ou eu queiramos ou não…

 

A ouvir: Toranja - Fogo e Noite

Soprado por: Asa às 11:00
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