Domingo, 11 de Junho de 2006

Eu sou uma cidadão do mundo...



É 1h da madrugada e dou comigo a pensar que todos nós precisamos de um sítio chamado casa. Não no sentido de quatro paredes e um tecto, onde vivemos, cozinhamos e trabalhamos. Não! É no sentido de um sítio que nos acolha e nos faça sentir protegidos e em segurança.

Hoje, que minha mãe está incontactável em Espanha, o meu pai não me telefonou, a minha tia anda perdida em Londres, onde o meu primo vive e a minha prima não me dá noticias há quase duas semanas, senti-me muito só no mundo. Não que tenha sido um sentimento horrível e insuportável, mas levou-me a imaginar como será a minha vida, um dia quando perder os meus pais.

Não me tomem por pessimista, mas é um facto tão inevitável quanto a própria morte. É certo que um dia ficarei sozinha no mundo, os meus pais vão acabar por partir do plano físico da minha vida e como tal vai haver um dia em que vou ficar completamente só. Tal como me sinto hoje…

O que será que vai ser a minha casa nessa altura? O local onde vivo? As ditas quatro paredes e um tecto onde me albergarei? Ou será que vai ser a cidade que me viu crescer? Que por acaso nem é aquela onde nasci, mas foi aquela que adoptei para descrever como a minha casa.

Só agora me apercebo que nunca fixei raízes em muitos sítios. Nasci na capital, num dos concelhos “in” lá da zona. Mas quis a vida que cedo regressasse a casa da minha avó, onde ainda vivi uns anos. Depois cresci a maior parte do tempo na cidade que chamo minha. Mas passado uns anos, parto outra vez, desta para estudar em Coimbra. Como devo ter achado que ainda era pouco, pego em mim e ruma a Itália para uns meses de Erasmus, que foram mais curtos do que gostaria, mas enfim… E agora ainda estou à espera de saber qual vai ser o próximo destino. Sim, porque da maneira como vejo as coisas paradas, não me parece que tão cedo vá assentar num sítio qualquer. Além disso, apetece-me viajar e viver noutros lugares.

Parece que traço o mapa da vida, à medida que escrevo tudo isto.

Mas ainda assim, não sei qual vai ser o sítio a que vou chamar casa, quando ficar só neste mundo. Tal como estou agora. Se tudo fosse da mesma forma, casa seria aquela em que vivo aos fins-de-semana, com a minha mãe, na cidade que ela escolheu para eu crescer. Mas vai daí, nessa mesma cidade, já tive várias casas…

É terrível a necessidade que senti de poder chamar casa a um sítio. A algo que me faça sentir protegida, livre dos perigos e das responsabilidades do mundo. É terrível que tenhamos que pertencer a algum lugar ou a algo para que nos possamos identificar.

Mas o pior de tudo é não saber onde se pertence. Afinal de contas e como eu muito gosto de dizer “Eu sou uma cidadã do mundo”…

Sinto-me:
A ouvir: O doce som do silêncio

Soprado por: Asa às 19:10
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