Quarta-feira, 9 de Agosto de 2006

Cemitérios...

 

Ora cá vai mais um daqueles posts negros, negríssimos, como breu que até a mim me fazem tremer.

O de hoje é sobre cemitérios. E desta vez quebro o ritual de escrever noite adentro, não porque o assunto possa vir a tirar-me o sono, mas porque me surgiu a inspiração em plena tarde e como tal, há que aproveitá-la, porque senão esvai-se e perco a oportunidade de manifestar o meu dark side.

Toda esta ideia surgiu na sequência do spot publicitário da Sociedade Zoófila, acerca do abandono dos animais nesta época do ano.

Discursando um pouco sobre o assunto, é já típico nesta incauta sociedade que aqueles que resolvem adquirir um animal, para exibir como troféu de alguma coisa (deve ser alguma espécie de trauma compensatório, não sei…), nesta altura do ano, quando resolvem ir de férias para qualquer paraíso tropical ou não, abandonam o pobre do bicho ao Deus dará, porque quando voltarem compram outro e por aí adiante.

Daí que só me parece bem que sociedades deste tipo, invistam algum dinheirito nesta publicidade, porque pelo menos as criancinhas que assistem possam ver a malvadez e crueldade dos pais que fazem isto aos seus animais de estimação.

Perdoem-me a franqueza, mas já avisei no início do post que isto hoje está mesmo negro. Há dias assim, a gente acorda e só apetece espancar a maioria dos seres humanos que gastam o mesmo oxigénio que tanta falta nos vai fazer no futuro.

Era espancar esses e deixar o raio dos incendiários baterem “acidentalmente” com a cabeça contra uma rocha e ficarem a arder lá dentro. Pensando bem, não deve haver melhor cemitério que um incêndio. Fica-se logo em cinzas e não dá mais trabalho nenhum… O sr. Bush ainda não se deve ter lembrado destas vantagens, senão acabava logo com a morte por cadeira eléctrica e venenos e aproveitava os incêndios “acidentais” que muito lavram neste país.

Mas voltando ao assunto inicial, na sequência desse spot que mostrava um lindo cachorro a deitar-se por cima de uma campa num cemitério e que dizia que ele não nos abandonava, surge a ideia do post.

E a ideia é menos negro que o resto de todo o post que já escrevi. A ideia é muito simples. É a origem do conceito de cemitério. Como foi que alguém se lembrou de criar um lugar onde vamos venerar as pessoas que gostámos e já desapareceram do plano físico da nossa vida?

Eu sei que faz parte do processo de luto e negação e como tal vamos relembrando os que já se finaram. Mas daí a sermos sádicos ao ponto de ir lá constantemente fazer a dita veneração, para mim é demasiado à frente. Tão à frente que não consigo compreender.

Estava eu a pensar, ao cozinhar o meu almoço, que devia haver um cemitério para os sentimentos. Devíamos poder enterrar a amizade, o amor, o ódio, a raiva, a inveja e tudo o mais. E quando tivéssemos saudades íamos lá levar-lhe flores e acender umas velitas…

Acho que faz muito mais sentido um cemitério de sentimentos do que o de pessoas. As pessoas deviam ser todas cremadas e voltar à terra mais rápido, sem precisarem de ser decompostas por milhares de bichos horrorosos.

Mas um cemitério de sentimentos era perfeito. Quando estivéssemos em dúvida, íamos lá e confirmávamos que de facto o sentimento morreu. É que às vezes, dou comigo a pensar se de facto o sentimento terá mesmo morrido. Gostava de me certificar, mas como? Não há um cemitério para essas coisas. Mas no entanto, continuamos a venerar esse sentimento como um morto.

Relembramo-lo, veneramo-lo e gostamos de sentir que um dia foi real. Também nos perguntamos muitas vezes porque terá desaparecido e desejamos que volte.

Pois eu cá não. Gostava de ter um cemitério de sentimentos para verificar que eles de facto morreram e não voltam mais. É preciso haver respeito pelos sentimentos mortos, só é pena que muitas vezes estes, não estejam enterrados…

 

Sinto-me:
A ouvir: Guardiões do Subsolo - Popless

Soprado por: Asa às 17:09
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