Quinta-feira, 16 de Fevereiro de 2006

Liberdade vs. Solidão

Liberdade vs Solidão.jpg

 

Cada vez mais constato que as pessoas vivem sozinhas, mesmo que vivendo acompanhadas. A solidão tornou-se a eterna companheira das horas vagas, com a simples de desculpa de Liberdade.

Chamamos liberdade ao facto de morarmos sós porque gostamos disso, ao facto de não nos apaixonarmos para não nos tornamos dependentes, ao facto de falarmos com os amigos pela net para não os visitar porque poderíamos incomodar, etc.

Parece que sermos só nós próprios nos facilita a vida e nos livra de complicações. Passamos a designar namorados por amigos coloridos, pai e mãe por cotas, marido por companheiro e etc e tal…

Será a dependência algo assim de tão grave para termos de nos envergonhar com isso? Será que morar com alguém não traz recompensas gratificantes? Será que “adoptarmos” uma companhia na nossa vida é algo embaraçoso?

Parece que na nossa geração é! E depois quando encontramos alguém disponível e suficientemente generoso para nos oferecer a sua companhia apegamo-nos a ele/a desesperadamente e tentamos disfarçar. Benditos os namorados que fazem cenas na rua, daquelas que só apetece dizer “Get a room!”. Esses ao menos não têm medo de mostrar os seus sentimentos em frente a todos os outros (às vezes até mostram mais que os sentimentos, coisa que nós dispensávamos, mas enfim…).

Dada a onda de romantismo que pareceu afectar a população mais próxima que vive à minha volta no Dia dos Namorados, não poderia deixar de fazer um post à laia de crónica sobre este assunto tão intimamente ligado e correlacionado com o caso. Quer-me parecer que cada vez mais o amor se tornou comodista e a paixão se transformou na chamada “amizade colorida”. Não me levem a mal as críticas, mas é o que sinto comigo mesma e com alguns dos outros…

Não digo que a solidão não me saiba bem, em alguns momentos da vida, mas a solidão também mata. O ser humano é social por natureza, e como tal, nasceu para se socializar. Mas aparentemente na nossa sociedade actual isso não se passa bem assim, cada vez mais arranjamos desculpas para não sair de casa, seja porque está frio ou então está calor, estamos cansados do trabalho, temos coisas para estudar, queremos ver o que vai dar na televisão, estamos velhos para noitadas, precisamos de dormir, sei lá. Poderia estar toda a noite a teclar os inumeráveis motivos porque isto acontece.

O facto é que me fartei e admito-o! Fartei-me de dormir sozinha todas as noites, sem ninguém para me mimar, fartei-me de almoçar e jantar e tomar o pequeno-almoço sozinha todos os dias, fartei-me de cozinhar só para mim, fartei-me de dividir as minhas preocupações só com este blog, fartei-me da minha vida de solitária. Talvez isto seja um bocado “forte” para escrever num blog que vai a concurso na minha faculdade, mas paciência. Desabafos, são desabafos e é isso mesmo que torna este blog tão única, tão pessoal e tão meu!

Se não escrevesse o que penso não seria eu. Já basta não dizer o que quero em algumas situações realmente irritante. E após tamanha onda de defesa de liberdade de expressão, resolvi usar da minha para me exprimir, mesmo que isso choque alguns e algumas. Quem não quer não leia! (Comigo é mesmo assim!)

Já se deve ter notado que hoje estou com o chamado “humor de cão”! Há dias assim! Aqueles dias profundamente irritantes em que todo o Mundo à minha volta está felicíssimo e eu me sinto miserável. Ou melhor, há semanas assim! Preciso é de álcool nas veias! Também esse muitas vezes disfarçado de amigo e companheiro das horas de solidão. O mesmo se passa com o tabaco, já a J. me dizia que o cigarro é uma companhia nas horas de solidão e tristeza. Mais um engano em que caímos para nos desculparmos! Nem vale a pena ir por aí!

Ninguém prefere continuar a viver na distância das horas mortas e no longínquo dos dias que passam. Essa é uma mentira que dizemos a nos próprios para não sermos dependentes de outros, com medo que esses mesmos outros nos desiludam e nos magoem uma e outra vez.

Dizer amo-te passou de moda, está “demodé”! Preferimos dizer que gostamos muito de alguém, que o curtimos, que gostamos da sua amizade colorida, que andamos, curtimos, mas não namoramos. Só temos sexo, mas não fazemos amor. Não é que goste particularmente desta última expressão, mas dita com verdadeiro amor até é bonita de se ouvir…

Enchi! Choquei! (Expressões típicas minhas, ouvidas por quem me conhece bem e que no fundo até têm uma certa dose de piada…). Como diriam os Clã, andamos com um “Problema de Expressão”! O problema é que nem sequer nos damos conta disso mesmo.

Não prefiro a solidão da minha casa à companhia de alguém que amo. Prefiro é não o dizer para não me magoar se essa não for a opinião de outros. Não é que tenha um coração assim tão fraco, mas aprecio o romantismo quando é exibido por outros que não eu! Não me importo que digam que me amam ou que têm saudades minhas, desde que não me cobrem nada em troca. Sim, que por vezes o amor também é bastante egoísta e exige na mesma medida ou noutra ainda maior do que aquela em que dá.

Resumindo a minha incoerente linha de pensamentos, gostava mesmo era de ter aqui uma pessoa ao meu lado, para jantar comigo e mais alguma coisa… Mas não tenho e por isso senti-me sozinha e triste e como tal resolvi desabafar com a única companhia que me resta: o meu computador… No fundo, no fundo é um dos meus melhores amigos e não sabe. Bem, eu também nunca lho disse. Ainda não cheguei à fase de falar com os objectos. Ainda não atingi o estado de Solidão Aguda Grau 5. Devo aí andar a rondar o Grau 3…

Resta-me dizer aos meus caros leitores (esta é uma frase que sempre sonhei dizer e escrever) que não tenham medo de arranjar companhia e de lhe dar um nome decente, tipo: namorado, marido, amigo, pai, mãe, animal de estimação, seja o que for. O que importa é que comecemos a chamar as coisas pelos nomes.

Solidão será sempre Solidão, por mais que a tentemos disfarçar com o bonito nome de Liberdade…

 

N.B. Isto hoje está um pouco decadente, desculpem! Mas o meu estado de espírito não deu para mais e precisava mesmo de dizer o que estava a pensar. Já me chega o estágio para engolir os pensamentos…

 


Soprado por: Asa às 11:18
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