Sexta-feira, 6 de Outubro de 2006

Solidão, Solidões...

Estava eu hoje à noite, num fantástico espectáculo de jazz cubano, que aconteceu nesta fantástica cidade onde vou vivendo enquanto não arranjo outra que me agrade mais, e eis que me surge o tema para este post. Vá de chegar a casa e agarrar-me com unhas e dedos ao teclado para digitar estas palavritas.

Pois, como eu dizia, estava num espectáculo de jazz cubano, sozinha. Sim, tenho a mania de ir a eventos culturais de vez em quando, quando estes acontecem cá por cima. E como também tenho a mania de ser culta, o que me costuma acontecer é ir sozinha. Isto porque não conheço ninguém que goste da mesma cultura que eu, ou quando conheço, essa pessoa não pode ir.

E isto de ir a eventos sozinha é coisa frequente na minha pessoa e que suscita grande curiosidade por parte das restantes que assistem às mesmas coisas que eu. Mas o caricato da questão e que me levou a escrever isto, foi algo que me aconteceu à cerca de 2 anos, aquando do lançamento do filme “Alexandre, O Grande”.  

Na altura do filme, fui convidada para o ir ver por dois ou três grupos de pessoas diferente e com muita pena minha, nunca pude ir. Mas tinha tanta vontade de ver o dito, que agarro em mim e num dia que tive a tarde livre resolvo ir sozinha ao cinema.

Já este fenómeno é bizarro para a maioria das pessoas que conheço. Entrar sozinho/a num cinema será impensável, principalmente para as mulheres, que serão olhadas de lado e sobre as quais pensarão que são umas desgraçadas que não têm namorado/a (por cada um anda com quem quer!), nem amigos que as acompanhem ao cinema.

Mas eu lá vou, para ver o dito, numa das antigas salas do Centro Comercial Girasolum (que fecharam quando abriram as Lusomundo, lá ao lado no Dolce Vita) para depois poder criticar ou não, com conhecimento de causa. Compro o meu bilhete e entro na sala. A princípio penso que ainda é cedo e se calhar me enganei a ver o horário, isto porque a sala se encontrava completamente vazia. Mas volto a olhar para o papel e comprovo que era à hora que eu pensava. Olho para o relógio e estava tudo normal. Achei estranho, não haver absolutamente mais ninguém na sala à excepção da minha pessoa. E nisto começa o filme a rodar. E eu lá assisto a três de hora de filme completamente sozinha numa sala de cinema.

Provavelmente terá sido a coisa mais bizarra que me aconteceu. Mas foi óptimo não levar com o barulho de telemóveis a tocar, nem de pipocas a serem mastigas (para além das minhas), nem de comentários parvos e homofónicos (sim, que tive conhecimento que foram muito frequentes nas sessões desse filme), nem de nada. Foi uma sessão à qual chamaria caseira. Escolhi o lugar, acomodei-me confortavelmente e por três breves horas pensei que estava no sofá da minha sala, com a diferença da qualidade do ecrã e do som.

A maioria pensará que sou meia louca (e não andará longe da verdade!), mas eu quando quero ir ver coisas que me interessam, vou, e vou sozinha se for preciso. Não me chateio nada com os que outros pensam. Se calhar, é porque sou extremamente segura dos amigos que tenho, que nunca me faltam, mas que nem sempre podem estar comigo nestas coisas ou algumas vezes não partilham dos mesmo interesses que eu.

Detesto aquele preconceito estúpido (um dos muitos) de que se alguém vai sozinha a qualquer espécie de evento ou espectáculo é porque é uma pobre coitada, solteirona, que não tem nada para fazer e vai lá só para ver se se arma em intelectual e consegue engatar alguém. Detesto a mesquinhice daqueles que pensam desta forma e muitas vezes andam acompanhados de pessoas que detestam, mas as quais bajulam para que os outros, mesquinhos como eles, não pensem o mesmo que eles próprios pensam. Detesto ainda mais as pessoas que se acabrunham e perdem fantásticos momentos de fruição pura, só porque não são capazes de ser seguras de si msmas e por isso se envergonham da sua solidão.

Não vejo qualquer problema nessa solidão quando é o resultado de uma escolha. Prefiro mil vezes a minha solidão a estar acompanhada por alguém que não quero e não gosto, só para que os outros não comentem que estou só. Como dizia a minha avó, antes só que mal acompanhada.

E aqueles que tiverem o prazer da minha companhia, têm de merecer cada segundo que lhe dispenso …

 

Sinto-me: reconfortada
A ouvir: Tribalistas - Velha Infância

Soprado por: Asa às 01:49
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7 comentários:
De Paulo Aroso Campos a 6 de Outubro de 2006 às 04:30
O saudoso Girassolum! Esse e o Avenida que, segundo parece, também fechou as salas... Ficamos com a multinacional Lusomundo e com filmes apenas comerciais...
N'A mensagem esqueci-me de duas coisas: primeiro sou da área cientifica e o meu português (B) tinha um programa mais reduzido em obra literária; depois q já tenho 28 anos e o meu periodo de ensino secundário já passou à uns anitos!!!
Beijoca


De Mafalda a 6 de Outubro de 2006 às 09:29
Muito bem. Eu vou ao cinema sozinha muitas vezes e este ano até de férias para o estrangeiro fui sozinha! E ao contrário do que todos dizem... Não, não fui fazer turismo sexual lolol

Bjos
Loira


De comentador de servico a 6 de Outubro de 2006 às 12:01
espero merecer cada segundo da tua fantástica companhia.. da próxima vamos ao jazz dos cubanos numa onda de café como da outra vez.. ka loucura.. ;) kiss


De lahanna a 6 de Outubro de 2006 às 16:33
Obrigada pela visita ao meu blog, eu cá venho retribuir a visita... e eis que sou surpreendida por dois factos curiosos: eu também sou de Coimbra e eu também vou muitas vez ao cinema sozinha!
As pessoas por aqui têm muito a mania que andar só quer dizer estar só, mas esquecem o ditado: antes só que mal aconpanhado. A mim acontece como contigo, gosto e aprecio determinadas coisas que os meus amigos não apreciam muito ou não podem acompanhar-me...daí ir sozinha. E digo-te que ter visto Alexandre, O Grande sozinha deve ter sido mesmo muito bom, eu vi sozinha mas em casa e mesmo assim gostei imenso.
Uma saudação para os saudosos cinemas Castello Lopes, todos os dias lá passo e lembro os filmes fantásticos que lá vi.


De Fernando Ribeiro a 9 de Outubro de 2006 às 23:22
Obrigadinha ASA pela visita ao meu blog , pelo link, por viveres nesta cidade e por andares por aí… Quanto ao teu blog, também só hoje o conheci e gostei do que vi – pessoal, intenso e arrumadinho. Mais um blog a visitar.

Quanto ao teu post, "solidão-solidões", que saudades tenho do tempo em que andava por aí sozinho e tinha a liberdade de ir onde queria ou estar só, se me apetecia...



De lady.bug a 15 de Outubro de 2006 às 12:37
Não resisti a deixar aqui o elogio de coragem (lol) a uma mulher que, como eu, também vai ao cinema sozinha.
Também já fui a concertos sozinha, porque não me sinto obrigada a sair com companhia.
Da última vez que fiz isso, encontrei dois casais amigos: ah então vieste ao cinema... SOZINHA??? Eu dantes também fazia isso, quando não tinha companhia...
Pois, mas eu mesmo que tenha companhia, prefiro por vezes sair sozinha. A tua avó e a minha têm razão: mais vale só que mal acompanhada.


De Elca a 8 de Abril de 2007 às 15:51
nao a conheço d lado nenhum, mas depois d ler este post.. tive d comentar
gstei bastante... sem duvida q mts das coisas q disse nele sao verdade...
e mais vale so q mal acompanhdo!!!*

bye*


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