Sábado, 29 de Julho de 2006

Porque a Terra não é redonda e o céu jamais será azul...

 

Pois é, caros visitantes, como já se deve ter notado, tem-me faltado a inspiração para escrever seja o que for. Até as frases do Messenger têm custado a sair, e metade delas não é da minha autoria…

 Enfim, cansaço acumulado impede a veia artística de vir ao de cima! Mas a verdade é que também não me têm surgido assuntos interessantes o suficiente para divagar umas palavritas sobre eles.

Mas hoje intento mais um esforço de escrever qualquer coisa, afinal já lá vão quase 50 dias sem nada original que possa ser chamado de meu neste blog.

Mas a verdade é que me faltam os assuntos interessantes. Não sei se será por a vida ser sempre igual a si própria nestes últimos dias, se será pelo facto de não ter tido criatividade para pensar nas coisas giras da vida de um ponto de vista que é muito meu.

Pensei escrever sobre os amigos e a sua importância na vida. É uma verdade inegável que os amigos fazem falta e são uma óptima companhia na vida. Mas gosto tanto dos meus amigos que era difícil tentar por em palavras o que sinto e o que penso.

Depois pensei escrever sobre as pegadas. Aquelas que deixamos marcadas no rasto da vida. Mas é algo tão mágico que ainda não me senti preparada para analisar as minhas, quanto mais escrever sobre elas.

Por fim, cheguei a conclusão que a única coisa sobre a qual poderia escrever era sobre a paixão. Aquela que nos consome a alma e nos queima o peito. Mas também esse assunto não me inspira. Apetece-me mais sentia-la do que verbalizá-la.

E ao que parece não me resta escrever sobre nada. Foi então que me surgiu um título sobre o qual poderia tentar garatujar umas letras.

Mas como vos explicar que a Terra não é redonda e o céu não é azul?

Cientificamente, está provado que a Terra tem a forma de uma pêra, ou seja é um globo achatado nos pólos, mas mais no pólo sul do que no pólo norte. E o céu não tem cor (acho eu!!!). O azul que vemos relaciona-se com as radiações solares e as camadas da atmosfera.

É incrível pensar que aquilo que vemos e sempre nos disseram é mentira.

A Terra não é redonda e o céu jamais será azul…

Tal como a vida. Nada do que parece é e nada do que nos dizem pode ser considerado verdade. Mas até que ponto podemos levar isto à letra? Será que para sabermos que realmente está frio é preciso arrepiarmo-nos? E para provar que está calor é preciso derretermos ao sol?

Acho que não…

Cada um acredita no que quer e no que mais lhe convêm. Alguns chegam mesmo a viver uma mentira a vida toda. Chama-se a isso fantasia…

Eu tenho cá para mim que a Terra não é redonda e o céu não é azul, mas isso não impede que cada um acredite no que quiser.

Eu tenho cá para mim que aquilo em que acredito ainda vai acontecer, e não daqui a muito tempo, mas isso não impede que leve a vida como se nada se passasse.

Porque eu tenho cá para mim que a Terra não é redonda e o céu jamais será azul . . .  

Sinto-me:
A ouvir: Gal Costa - Lanterna dos Afogados

Sexta-feira, 14 de Julho de 2006

Elogio ao Amor (O regresso)

 

“ Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo. O que quero é fazer o elogio do amor puro.

Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão.

 Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.

 Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em diálogo.

O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões.  O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática.

O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam apaixonadas.

Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço.

 Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do ‘ bem, tudo bem, tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, banançides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas.

 Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?

 O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso dá lá um jeitinho sentimental.

Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade.

Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo.

 O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar.

 O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra.

A vida às vezes mata o amor. A vidinha é uma convivência assassina.

O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima.

O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente.

 O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.

O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser.

 O amor é uma coisa, a vida é outra.

A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.

 Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz.

Não se pode ceder. Não se pode resistir.

 A vida é uma coisa, o amor é outra.

 A vida dura a Vida inteira, o amor não.

Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também. “

 

 

 Miguel Esteves Cardoso

 

 

P. S. Após mais de um mês de ausência neste blog (o que é uma verdadeira vergonha para a minha pessoa) regressei!

E como ainda falta a inspiração, que se consumei na chama breve e quente da escrita do relatório de estágio, aqui vos deixo algo que ouvi hoje no fantástico programa da 2: A revolta dos pastéis de nata, e que transmite na perfeição aquilo que me vai no corpo e na alma.

Espero que gostem…

Sinto-me:
A ouvir: REM

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