Quinta-feira, 30 de Novembro de 2006

Amigos...

… São anjos que nos levantam pelos pés quando as nossas asas não se conseguem lembrar de como se voa.

Sinto-me: shinning

Sexta-feira, 17 de Novembro de 2006

Depósitos...

 

Como de costume, tenho pensado bastante sobre este tema, antes de me atrever a dar uma opinião sobre o assunto.

Podem pensar que é sobre incineração ou co-incineração, lixeiras ou coisas que tais, mas não andam longe da verdade. O tema são os depósitos, não de dinheiro mas de pessoas.

Na sociedade moderna em que vivemos, resolvemos criar depósitos para aqueles que não cabem nas nossas vidas. Podiam ser depósitos de memória, para aqueles que não têm espaço pudessem ficar armazenados e pudéssemos recordá-los quando sentíssemos saudades. Mas não. Criamos depósitos de pessoas reais, locais onde as depositamos quando estamos fartos de as aturar.

Criamos lares de idosos, hospitais psiquiátricos, centros de dia, ATL’s, jardins-de-infância, colégios internos, tutorias, centros de reabilitação, prisões e sei lá que mais…

Criamos sítios, onde depositamos as pessoas que não nos interessa manter na nossa vida. Não importa se são nossos pais, filhos, amigos, familiares, esposas, maridos ou irmãos. O que importa mesmo é que não as queremos nas nossas vidas e por isso, estamos dispostos a pagar um preço, por vezes bastante elevado, para que completos desconhecidos os mantenham vivos enquanto a chama da vida os mantiver.

Não sou contra a existência de alguns desses sítios. Não sou contra o facto de algumas pessoas não terem qualquer hipótese de poderem auxiliar essa outra. Não sou contra os empregos que se mantêm. Não sou contra o pagamento dos actos e o conceito de justiça. Sou é contra fazermos disso uma rotina habitual.

Custa-me ver pessoas idosas que sempre amaram os filhos despejadas nos depósitos de idosos. Custa-me ver crianças de um ou dois anos despejadas em depósitos infantis até que os pais acabem a sua vida social e se lembrem que eles estão lá. Custa-me ver pessoas deprimidas despejadas em depósitos psiquiátricos sem o apoio mais necessário. Custa-me ver pessoas diferentes despejadas em depósitos de deficientes, como se fosse um mal a esconder. Custa-me ver crianças com inúmeros problemas de vida e de adaptação social despejadas em depósitos de delinquentes, sem que alguém se interesse pela sua natureza de ser humano. Custa-me ver pessoas desepejadas nos depósitos de criminosos, sem que alguém tente perceber o que aconteceu e quais as hipóteses de recuperarem uma vida normal.

Custa-me viver nesta sociedade que teima em criar depósitos para aqueles que sofrem de algo diferente. Para aqueles que não quiseram ou não souberam adaptar-se à condição de normal que a sociedade lhes impôs.

Fazemos dos depósitos uma forma alternativa de vida, sem as mínimas condições de alguma vez o poderem ser. Fazemos destes depósitos um armazém daquilo que não nos interessa ter na nossa vida. Criamos depósitos de pessoas...

 

Sinto-me: revoltada
A ouvir: Mega FM

Segunda-feira, 13 de Novembro de 2006

Espero que não acabe aqui...

 

Isto deve ser um sinal…

Estava eu a escrever o rascunho de um post para aqui publicar e o raio do documento vai à vida sem que eu pudesse sequer tentar memorizar as palavras que já tinha rabiscado. Mas aqui vai a ideia essencial.

Já há algum tempo que deixei de vir a este blog. Já há muito tempo que deixei de ter vontade e assunto para publicar fosse o que fosse. Os motivos eu não sei, foi algo gradual que foi acontecendo sem que eu me apercebesse.

Para aqueles que regularmente aqui vêem ( e que são em média 13 pessoas por dia, que lêem 2 páginas de cada vez que aqui vêem) e que não se tenham apercebido, este blog apareceu, coincidentemente (embora eu não acredite em coincidências) na mesma altura em que se iniciou uma paixão na minha vida. Este blog era uma espécie de parasita que se alimentava na paixão que por sua vez me alimentava a mim. Mas era um parasita que vivia no seu hospedeiro e lhe permitia desabafar certas coisas que este não era capaz de fazer. Era um parasita com funções benéficas.

Mas como aconteceu com a paixão, também o blog se foi desenrolando aos tropeções, sem saber bem qual o rumo que iria tomar. Como a própria descrição diz eram pensamentos pessoais e por vezes algo mais do que isso.

Mas a paixão foi esmorecendo e também o blog a acompanhou. Devem-se ter percebido por alguns posts que publiquei que o desenrolar da paixão nem sempre era dos mais felizes, assim como não o eram os posts que surgiam no blog. E o blog foi perdendo um bocado de conteúdo, deixou de ter o seu sentido. Se calhar por isso, já há 4 meses que criei outro, numa data marcante na minha vida. E a esse outro fui-me dedicando de alma e coração, fui deixando grande parte de mim e das minhas mágoas ao mesmo tempo que tentava suster este, entre uma e outra coisa que cá encontrava para escrevinhar.

Mas as coisas não têm corrido muito bem, como se pode ver. O Asa tornou-se numa espécie de morto-vivo, um fantasma que se vai actualizando mas cujas palavras pouco ou nenhum impacto provocam em quem as lê. Facilmente verificável pela falta de comentários não é?

E então como na paixão, também o blog morreu. Tentei ressuscitá-lo algumas vezes, muitas das quais com apenas um sopro, uma lufada de oxigénio que pouco ou nenhum efeito tinham sobre ele.

Digo sinceramente que nunca pensei que o Asa fosse terminar antes do seu primeiro ano de vida, que se encerrasse sem que a outra Asa, ou pelo menos a Asa gémea, fosse encontrada. Mas a verdade é que assim foi.

O Asa morreu. O meu amado blog morreu.

Sem que eu própria me desse conta, a morte surgiu lentamente e veio-se instalando a pouco e pouco. É notório que a vida deste blog se esmoreceu na exacta medida da morte da minha paixão.

Não sei se a sua morte será definitiva, se não haverá ressurreição possível para aquele que foi o meu amado tantos meses. Para a paixão eu garanto-vos com toda a certeza que não há. Para o blog não sei...

Tentarei que haja. Farei todos os possíveis para que aquele que foi o eterno companheiro das horas vagas, mortas e triste possa voltar a sê-lo. Tentarei pelo menos que até ao seu primeiro ano de vida esta vida possa existir.

Mas se tal não acontecer, pelo menos sabem o porquê de tal situação. Sabem que não foi por não tentar, foi porque não consegui. Perdi a alimentação necessária para que tal acontecesse.

Espero que a vida do Asa não cabe aqui…

 

 

Sinto-me: em pausa e sem nada para dizer
A ouvir: O rastejar do fim que se aproxima...

Segunda-feira, 6 de Novembro de 2006

Mimo...

Tenho saudades de ti. Do amor bonito que vivi ao teu lado, mesmo sabendo desde o princípio que nada seria por muito tempo, quanto mais para sempre.

Tenho muitas saudades de sonhar que um dia podia mudar o Mundo, só com a minha vontade e aí poder ter-te sempre ao meu lado. Por vezes finjo que te esqueci, mas a minha memória é muito traiçoeira e não me deixa fazê-lo.

Um dia, chamaste-me mimada. Foi algo que me repetiste várias vezes, mas sempre te disse que isso não era defeito, era feitio. Defeito seria se em vez de mimada fosse caprichosa e isso sabes bem que não sou.

Não me importo de ser mimada. Admito que sou e gosto. Adoro que me dêem mimo e acho que manifestarmos o amor que temos pelos outros não é problema nenhum. Muitas vezes me orgulho disso mesmo, de ser mimada, porque assim sei o privilégio que tive ao longo da minha vida.

Mas o que quero contar-te é que não é assim tão mau ser como sou.

Sabes, há cerca de 3 semanas encontrei uma menina muito pequenina, não devia ter mais do que 3 ou 4 aninhos. Essa menina que era linda, estava sentada nas escadas da estação de comboio de uma paregem onde passei, sozinha, a chorar, às 10h da noite de uma Quinta-feira. Ela chorava sozinha sentada nas escadas, sem que ninguém lhe dirigisse um olhar. Ninguém parou, ninguém falou com ela, ninguém quis saber porque chorava aquela menina.

Mas esta menina que tu apelidas de mimada, que sou eu, olhou para essa outra menina e só sentiu vontade de chorar. Pela falta de mimo que a outra menina teria. Parei, sentei-me nas escadas ao pé dela e tentei perceber a situação. A menina não falava, limitava-se a abanar a cabeça para responder às perguntas que eu lhe fazia. Acabei por perceber que estava triste porque um amigo não a tinha deixado ir brincar com ele. A mãe estava no café sabe-se lá a fazer o quê. E ela estava ali sentada a chorar a sua tristeza.

Acho que tive mais vontade de chorar eu do que ela. Pela falta de mimo que essa menina tinha, pelo seu desgosto, pela sua solidão e principalmente pela inércia de todos os que passaram e não foram capazes de parar.

Pensei que podia ser o meu anjo a estar ali sozinho e triste e eventualmente perdido, e que gostava que se isso um dia acontecesse, alguém mimado como eu parasse e falasse com ele.

Mas o que mais me doeu foi a falta de mimo que aquela criança tinha. E o que mais fiz e mais gostava de fazer era mimá-la, para que um dia ela soubesse como é bom podermos dar um pouco daquilo que recebemos.

Sinto-me: mimada
A ouvir: Enya- May It Be

Sábado, 4 de Novembro de 2006

Há dias assim...

Se disser que escrevo porque preciso, mesmo sem nada para dizer, esta é a mais verdadeira das verdades. Acho que a felicidade me rouba a inspiração. Tenho tendência aos posts nos dias em que a melancolia me invade. E depois há horas e locais próprias para que a escrita saia.

Hoje só venho aqui para dizer que ainda não morri, mais uma vez. Até tinha uma ideia muito boa para escrever, que me surgiu antes de adormecer na viagem entre o Porto e Chaves, mas o sono levou-a consigo e não me consigo lembrar sobre o que era.

Hoje só escrevo porque sinto-me na obrigação de o fazer. A escrita é um trabalho, exige rigor, prática e exercício. E por isso o faço, mesmo que não tenha nada para dizer e que o escreve não seja mais do que o amontoado de palavras que o exprimem.

Hoje gostava de escrever um texto bonito, daqueles cheios de inspiração que de vez em quando me assalta. Mas hoje, depois de tantas mudanças na vida não sei o que escrever.

Hoje é um dia em que prefiro comentar o blog dos outros do que tecer comentários acerca do meu.

Talvez amanha seja um dia mais bloguístico.

 

A ouvir: Dona Maria - Quase Perfeito

Soprado por: Asa às 01:04
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