Quarta-feira, 8 de Março de 2006

As duas partes

Duas partes.JPG

Hoje à noite dei por mim a pensar que parece que o Mundo e as pessoas se dividem continuamente em duas partes.

Por exemplo: Ocidente e Oriente, hemisfério Norte e hemisfério Sul, homens e mulheres, bons e maus, rígidos e liberais, perto e longe, direita e esquerda, normais e anormais, pais e mães, cima e baixo, preto e branco, frente e trás, som e silêncio, dia e noite, fumadores e não-fumadores, eu e tu; e por aí fora… Poderia estar aqui a noite inteira a digitar opostos ou antónimos, como preferirem, e iria encontrar muitos mais.

Estou a ver aqui um padrão! Ou seja, quer-me parecer que na maior parte das coisas só existem dois pontos de vista verdadeiramente distintos. Reconhece-se que às vezes possa haver o meio termo, mas aparentemente temos tendência a esquecermo-nos dele.

Parece que as coisas são assim ou assado. Ou as vemos segundo o meu ponto de vista ou segundo o teu. Não à volta a dar à coisa…

Como me diria a M., cada vez nos centramos mais na nossa maneira de ver as coisas e esquecemo-nos que para lá disto há sempre algo mais, quanto mais não seja porque não somos só nós que estamos directamente envolvidos nessa “coisa”.

A propósito, ando a citar muito os meus amigos e amigas, quem quiser pode tentar cobrar direitos de autor. Ou isso, ou sentir-se lisonjeado pelo facto de me lembrar tanto de vocês e daquilo que falo convosco e por serem uma fonte de inspiração para a escrita deste blog.

E hoje mais uma vez me disseram que “Há pessoas como tu e pessoas como eu!”, e eu fiquei a pensar se será assim tão simples e o mundo se divide apenas em dois. É certo que eu sou mulher e quem me disse isso é homem e nessa divisão há pouco a acrescentar, talvez o conceito de hermafrodita, não sei! Mas será que não há sequer a hipótese das pessoas serem diferentes de mim e de ti?

Não dás sequer o benefício da dúvida de que pode haver algo mais do que isso? Quer-me parecer que caso não o dês o mundo é demasiado simplista e não há grande espaço para a diversidade. Seja ela de géneros, espécies ou problemas.

E vemos que as coisas não são bem assim… O que não falta neste mundo é a diversidade e complexidade das coisas, até porque quando não existe, nós pura e simplesmente inventamos. Temos uma tendência nata para a complexidade e diversidade das coisas a que tendencialmente chamamos de criatividade. E quantas vezes não nos queixamos nós de falta de criatividade? Vivemos numa sociedade em que inovar é a palavra de ordem. É preciso criar algo de novo a cada segundo. Como se isso fosse possível! Ou já se esqueceram da célebre frase de Lavoisier “Nada se perde, nada se cria, tudo se transforma.”, que deu origem a Lei da Conservação da Massa da química moderna? Limitamo-nos a modificar aquilo que já existe. Damos-lhe um novo nome, uma nova roupa e achamos que inventámos todo um novo conceito.

E a tua frase dita assim, pareceu-me demasiado simplista. Pareceu-me que te esqueceste que o mundo não se divide só em duas partes, divide-se naquelas que a gente quiser.

Se calhar és tu que tens razão e sou eu que quero viver na ilusão de que há muitas divisões de muitas coisas e que a diversidade faz parte da vida. Se calhar és tu que estás certo quando dizes “Há pessoas como tu e há pessoas como eu!”, mas EU recuso-me a acreditar nisso.

Para mim há pessoas como tu, como eu, como a M., como a R., como a J., como o N., como o Z., como o P., e por aí fora… Há pessoas que gostam do dia, outras da noite, outras do amanhecer, outras do entardecer, outras da madrugada, outras da manhã, outras da tarde e ainda outras do crepúsculo. Há pessoas que gostam de cima, outras de baixo e outras dos lados. Há pessoas que gostam do preto, outras do branco, outras do azul, outras do verde, outras do rosa e outras de tantas outras cores…

Para mim não há só duas partes da mesma coisa.

Gosto de acreditar que Deus (?) fez mais do que isso, do que dividir as coisas em dois. Gosto de acreditar que essa tendência natural da divisão em duas partes é total e completamente nossa, condição humana.

Acredito que é uma maneira de racionalizarmos as coisas de modo a podermos simplificá-las e melhor apreendermos o mundo que nos rodeia. É uma tendência natural e inata do ser humano poder fazer o seu julgamento de forma rápida. E somos tão rápidos a julgar tudo e todos, que por vezes nos esquecemos que para lá do que vemos está o que é invisível aos olhos.

Não acredito na teoria das duas metades. Não acredito que só haja duas partes da mesma coisa.

Deus (?) não pode ter sido tão simplista…


Soprado por: Asa às 19:35
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