Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2006

Morro lentamente

Hoje dei por mim a pensar na morte... É um assunto um pouco estranho, mas de alguma forma inevitável. Todos acabamos por morrer um dia, e o problema é que quando esse momento chegar nos vamos aperceber que podíamos ter feito mais coisas na vida. É triste, mas geralmente é assim! A morte bate à porta nos momentos mais inoportunos e nós não lhe podemos fugir, nem fingir que não ouvimos o "knock, knock".

Ontem estava a falar com a J. sobre isso e apercebi-me de que a vida é mesmo assim. Todos vamos acabar por morrer um dia e quando esse dia chegar, eu sei que vou concluir que podia ter feito muito mais na minha. Que devia ter aproveitado melhor os momentos, que não devia ter deixado que eles fossem tão fugazes. Que os devia ter agarrado com unhas e dentes, que não devia ter permitido que nada, nem ninguém me tirasse o pedacinho de céu a que tinha direito.

Porque é que quando estamos infelizes, não deixamos os outros viver a plenitude da sua felicidade? Será inveja? Egoísmo? Tristeza por nós próprios? Não sei... Será que quando morremos a nossa alma paira sobre aqueles que gostamos? Ou seremos banidos da vida daqueles que gostamos, de modo a não podermos interferir nela? Para quem acredita no Céu, Purgatório e Inferno é muito mais simples. Limitamo-nos a atingir o último patamar da escada que é a vida, mas eu não sou dessas coisas.

Ouve um tempo em que a minha maior curiosidade era saber o que iria acontecer quando a minha alma abandonasse o meu corpo, mas depois percebi que o próprio conceito de alma não é absoluto. Um dia lamentar-me-ei de decisões que tomei. E quando dou conta disso, pergunto-me se não morro também um pouco com isso. Será que só morremos quando o nosso corpo deixa de funcionar? Ou isso acontece quando o nosso coração deixa de bater? Sinto-me a morrer aos poucos, quando não tenho a coragem de dizer o que penso e fazer o que digo ou aquilo a que me propus. Não daquela maneira estúpida de que é mais um dia que passa, menos um dia de vida. Acho que as coisas não podem ser vistas assim. Um dia a menos é melhor que muitos dias a mais, depende daquilo que fizermos com essas 24 horas.

Mas sinto a morte por perto, muitas vezes, acho que morremos quando não somos capazes de fazer aquilo que realmente queremos ou quando estamos presos a condicionalismos estúpidos e sem significado. Ou quando não temos a coragem de arriscar, mesmo sabendo que até podemos perder.

Morremos quando não somos nós próprios...


Soprado por: Asa às 17:04
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