Quarta-feira, 15 de Março de 2006

Envelhecer




Mais uma viagem de autocarro, mais um produto para este blog.

Passo a explicar, vinha eu descansada para casa, no meu adorado autocarro nº 4, quando de repente sucede mais um daqueles episódios que resultam em post para este blog. A meio da viagem uma senhora começa a gritar que tocou e o motorista não parou na paragem pretendida. Mas a senhora repetiu aquilo, sem exagero, uma dúzia de vezes. “Eu toquei, eu toquei, eu toquei, daqui a pouco estamos em Celas” reprodução fiel das palavras dela. E o motorista pede desculpa e pára imediatamente para a senhora sair. Mas ela não contente com isso, repete e repete e repete, até que por fim lá se põe a pé e sai calmamente do autocarro.

Mais um episódio de vida comum, do quotidiano dos utilizadores dos SMTUC. Mas é também um daqueles episódios que me faz reflectir sobre a vida e as pessoas.

Fez-me reflectir sobre qual seria a minha atitude nessa situação, porque achei demasiado exagerada a repetição de lamentos da dita senhora. E cheguei à conclusão de que há bom envelhecer e mau envelhecer. Ou seja, essa mesma senhora tinha já alguma idade e com certeza bastantes motivos para se queixar, mas outras senhoras há que nessa situação teriam dito algo mais “leve”. Isto é, poderiam reclamar da situação de forma menos repetida e menos abrasiva.

O que me leva ao bom envelhecer e mau envelhecer. Se há pessoas que estão ressabiadas com a vida e reclamam daquilo a que têm direito e daquilo a que não têm direito, também há aquelas que se riem das situações mais ridículas e incómodas. Tudo depende daquilo que lhes vai no âmago do seu ser. (Hoje é mais um daqueles dias em que estou prolífera em palavras…)

E isto leva-me a uma mais uma daquelas conversas produtivas que vou tendo com as pessoas que gosto. Eu explico! Há uns dias atrás talvez também eu tivesse sido bruta e até mesmo agressiva se tivesse passado por uma situação semelhante. Mas em dias como hoje duvido que tivesse tido uma atitude semelhante.

Cheguei à conclusão, a partir do episódio de hoje e da conversa de Sábado, de que ando a envelhecer mal. O que no meu caso, não é nada desculpável… Com a módica quantia de 22 anitos, não é caso para envelhecer pessimamente desta maneira.

Como eu própria dizia no Sábado, tornei-me cínica perante o amor, mas pior que tudo é que me ando a tornar cínica perante a vida. E cheguei a essa conclusão só no Sábado. Deixei de acreditar na bondade das pessoas, há já alguns anos atrás. Mas além disso, deixei também de confiar nos outros, mesmo em alguns que conheço há algum tempo.

Deixei acreditar que o Mundo é um lugar maravilhoso para se morar e que se hoje chove, amanhã vai estar sol. Acho que me tornei demasiado adulta em poucos anos de vida. Posso ter adquirido alguma experiência e talvez até alguma sabedoria (o que pessoalmente acho difícil, mas bem!), mas o mais grave da situação é que perdi o meu espírito de criança. Aquele que nos faz maravilhar com cada pequena coisa boa que nos acontece no dia-a-dia, aquele que nos permite sonhar. E há quanto tempo que eu deixei de ter sonhos… nem digo nada!

Não é que com isto e com o facto de o reconhecer o tenha readquirido. É um processo lento, moroso e extremamente complicado. Quando já se viu muita coisa e se sofreu muito, é difícil voltar a acreditar que a vida é fantástica, deliciosa e algo de extraordinário. Mas ando a tentar!

Tenho saudades de ser feliz, verdadeiramente feliz. De me rir com vontade e fazer asneiras como senão houvesse amanhã. Mas felizmente conheço algumas pessoas que de vez em quando me lembram que isso é possível e que me tentam abrir os olhos.

Tenho de aprender a viver um dia de cada vez e como se de facto pudesse mesmo ser o ultimo… nunca se sabe quando a morte nos pode bater à porta. E tenho tanta coisa para fazer até lá…

 

Mas aliviando um bocado o tema, é só para dizer que como já devem ter reparado isto mudou de sitio, ou seja, já migrei para a nova plataforma de blogs da Sapo, muito embora discorde completamente disto tudo que a Sapo está a fazer. Eu cá gosto é das coisas à antiga e acho muito mal que apaguem os blogs antigos. Mas como mulher remediada vale por duas, optei por discordar mas migara à mesma.

Tenho ainda a acrescentar que na Quarta à tarde fui apresentar oficialmente o meu blog, sim este mesmo que vocês estão a ler neste momento, na minha querida faculdade. E ainda pró cima tive direito a um lanchinho à borla, muito bom que estava! (Acho que a palavra lanchinho não existe, mas é tão típica e pitoresca que mesmo sendo erro resolvi deixar ficar. O correcto é lanchezinho, mas soa tão mal, não é nada português!) Não disse nada de jeito quando me perguntaram sobre o que falava, mas se lerem é muito melhor. Também nunca tive muito jeito para falar, anyway! O que eu gosto mesmo é de escrever…

Já agora aproveito para dizer que a VIII Semana Cultural da Universidade de Coimbra foi um sucesso e que adorei. Acho fantástica a ideia de abrir a Universidade uma semana para toda a gente, mas detestei o trabalho todo que tive. Mas no fim soube muito bem! Adoro estudar em Coimbra e pertencer à FPCEUC.

Afinal de contas, envelhecer em Coimbra é bom! O álcool conversava-nos…

 

 

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