Terça-feira, 2 de Maio de 2006

Um diálogo não são dois monólogos...

 

Pois é Diogo! Mais uma viagem que faço à tua procura no interior de mim mesma. Mais um rumo que traço às cegas. Perdi a bússola do meu barco. Quebrei o astrolábio que alguém me ofereceu. Destruí o mapa que me ofereceste no dia em que me pediste para te seguir.

Perdi-me nas ruínas da alma que não soube nunca encontrar. Nas ruínas que não tive coragem de explorar pelo medo que acumulei ao longo de todos estes anos. Nunca me encontrei ao teu lado, quer física, quer espiritualmente. Nunca vislumbrei sequer a cor da tua aura.

Houve alguém que me ensinou muita coisa na vida. Houve alguém que nasceu muitos anos antes de mim e de ti e que me ensinou a acreditar nos sinais da vida. Alguém que tinha o guerreiro da luz mais forte   que conheci até hoje. Alguém que estava destinado a fazer parte dos meus antepassados. Alguém que perdi sem saber como nem porquê e que ficou com muitas histórias por contar.

E por isso, hoje quero contar-te esta história. A história de esse alguém, a minha avó, que nasceu com o destino escrito a brasas na palma da mão esquerda. Com um destino que nunca consegui desvendar. Ainda hoje quando olho para trás, e recordo as linhas curvas que a sua mão tinha bem marcadas, não consigo perceber o que elas queriam dizer.

Foi a minha avó que me ensinou a ter coragem para enfrentar o mundo sempre de frente e de cabeça bem erguida. Que me ensinou o significado da palavra fé. Não no seu sentido restrito à religiosidade, mas no sentido lato da vida. Fé de acreditar na vida, no destino e em tudo o que desejamos de bom do fundo da nossa alma.

Como tenho saudades do consolo dos braços da minha avó. Daqueles braços magros e frágeis, cansados pelos muitos anos de lavoura, mas que estavam sempre abertos para me abraçar. A minha avó não era uma pessoa extraordinariamente ternurenta e afectuosa, mas sabia sempre quando eu precisava de um consolo dos seus braços que sempre me protegeram.

Primeiro em bebé, que me embalaram e alimentaram, depois em criança que me ajudaram a atravessar as poldras dos rios e mais tarde, na adolescência que me acolhiam para chorar os desgostos do coração e da alma.

Sempre me fascinei pela capacidade empreendedora e lutadora da minha avó. Sempre me fascinei pela sua lama de lutadora, que não desistia nunca, fossem quais fossem as atribulações que a vida lhe reservava. Sempre me fascinei principalmente pela sua capacidade de não desistir nunca e perseguir todos os seus objectivos.

Como sinto a sua falta, ao longo destes longos 3 anos em que não tem estado fisicamente ao meu lado…

Foi também ela que me ensinou as regras básicas dos mistérios da vida. E foi ainda, ela que me ensinou que um diálogo não é, nem pode ser, apenas um conjunto de dois monólogos.

E o nosso tem sido apenas isso. Dois monólogos, que em conjunto tentam ser um diálogo.

É por isso que te digo, Diogo, um diálogo não são dois monólogos. E nós nunca o tivemos. Dançámos juntos algumas vezes, e continuamos a dançar, mas mesmo assim, nunca ouvimos, nem ouviremos a Alma do Mundo só os dois.

Sinto-me:
A ouvir: O canto dos passarinhos por cima da minha janela

Soprado por: Asa às 15:53
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